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Reencantamento

Atualizado: 22 de dez. de 2025

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O Espaço Cultural José Lins do Rego apresenta a exposição Reencantamento, com curadoria de Lucas Dilacerda, reunindo obras dos artistas Aídyne Martins, Felipe Tomaz de Morais, Inara Marchi, Kal Yoga e Luiza Ribeiro, tendo Alice Vinagre como artista convidada. A mostra permanece aberta ao público até 29 de dezembro de 2025


A exposição propõe uma reflexão crítica sobre o desencantamento do homem em relação aos seus recursos naturais, patrimoniais e históricos — elementos essenciais à vitalidade e à sustentação da vida social. A recorrente paleta azul atua como estratégia sensorial, conduzindo o visitante a uma imersão simbólica em um grande útero primordial, gerador da vida. 


Rios que levam

Na obra Rios Que Levam (2025), de Luiza Ribeiro, somos colocados diante de uma trama emaranhada que remete a uma teia nervosa de neurônios em expansão. Tentáculos simbólicos alimentam e irrigam o espaço vital, sugerindo fluxos de energia e memória. Segundo a artista, a obra representa ruas e rios da cidade de João Pessoa, partindo da observação dos corpos d’água urbanos e das diversas formas de poluição que os atravessam. 



Embalando nuvem

Kal Yoga cria uma instalação em que pingentes contendo água engarrafada parecem suspensos no ar, como uma chuva interrompida no tempo. A sensação é a de estar sob uma precipitação artificial e contida. A obra Embalando Nuvens (1983) alude à mercantilização da água, denunciando que esse recurso vital não é acessível a todos, mas convertido em produto para quem pode pagar. Segundo a artista, o trabalho parte de um olhar decolonial sobre a água, entendida não apenas como recurso natural, mas como entidade mítica e arquivo de memória, portadora das histórias de corpos, territórios e ancestralidades. 



Dois vulcões

Um grande painel azul sustenta a obra de Alice Vinagre, Dois Vulcões I (2018). A paisagem em azul profundo retrata montes em erupção, expelindo massas escuras que convulsionam toda a cena, criando uma atmosfera de liberação e força contida. Em seguida, a artista apresenta Noite Escura (2018), uma paisagem noturna que revela mistérios e personagens fundidos ao ambiente, rica em ações e camadas simbólicas. Alice Vinagre dialoga com a liberdade expressiva da chamada Geração 80, movimento responsável por recolocar a pintura no centro da arte contemporânea brasileira. 



Pirassomo

A artista Inara Marchi apresenta a instalação Pirossomos (2025), uma grande estrutura tubular tecida em múltiplos tons de azul. À primeira vista, a obra se assemelha a uma traqueia monumental, prestes a absorver toda a água do universo. As tramas criam a sensação de camadas temporais, evocando processos geológicos como soterramentos tectônicos e metamorfismos. Inspirada nos pirossomos reais — organismos marinhos coloniais, frágeis e bioluminescentes —, a obra reflete sobre os impactos do aquecimento global nos oceanos e a consequente ameaça à vida marinha. 



Patrimônio vernacular

Na Série Patrimônio Vernacular (2025), Felipe Tomaz de Morais chama a atenção para o estado de degradação da arquitetura histórica urbana. As obras evocam antigos casarios que deram origem à vida urbana das cidades brasileiras. Mesmo protegidos por tombamento histórico, esses imóveis frequentemente sofrem com o abandono de proprietários e do poder público, sendo deixados à ação do tempo e do vandalismo, até seu colapso estrutural — cenário que favorece a especulação imobiliária. Para o artista, o trabalho articula-se em torno da invisibilidade de vestígios e histórias não contadas, revelando o valor soterrado e esquecido nas ruínas urbanas. 



Cartas ao futuro preto

Aídyne Martins apresenta a instalação Cartas ao Futuro Preto (2025). A obra remete a uma grande tenda ritualística, onde cartas contendo orações, dúvidas e desejos são depositadas pelo público. Esses escritos seguem simbolicamente para um oráculo que os encaminha a deuses do futuro. Organizadas em compartimentos, as mensagens formam um correio simbólico do porvir. A artista concebe a obra como um dispositivo interativo que convida à reflexão sobre a construção de um futuro negro mais afetuoso, justo e livre. 


Reencantamento configura-se, assim, como um potente laboratório de reflexão sobre o papel humano enquanto agente social e ambiental. A exposição evidencia os impactos do uso indiscriminado dos recursos hídricos, arquitetônicos, urbanísticos, naturais e históricos — fundamentos indispensáveis à sustentação da vida na Terra. 


Vá, veja a exposição, reencante-se e construa seu próprio pensamento crítico sobre esse tema urgente e inadiável: a sustentabilidade da vida. 

Por Silvio Feitosa 

 

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Sílvio Feitosa

Arte de Sílvio Feitosa Exposta no Celeiro Espaço Criativo em João Pessoa PB

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